O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, foi recebido por Donald Trump na Casa Branca nesta terça-feira (28). A portas fechadas, a reunião durou cerca de uma hora e, segundo o próprio ucraniano, foi "muito boa". Na mesa, de acordo com relato de Zelensky citado pela AFP, esteve a licença de produção de interceptadores do sistema antiaéreo Patriot — tratada por Kiev como prioridade número um diante da escalada dos bombardeios russos.
"É importante que o processo diplomático seja revigorado", afirmou Zelensky após o encontro, segundo a agência AFP. O Apuramos noticiou pela manhã a agenda dupla do dia em Washington; à tarde, saíram os primeiros resultados.
Patriot no centro da mesa
O tema não é novo entre os dois. Neste mês, à margem da cúpula da Otan realizada na Turquia, Trump anunciou a intenção de conceder à Ucrânia licenças para fabricar os sistemas de defesa aérea Patriot, apurou a UPI. A escassez mundial de interceptadores do sistema, de fabricação americana, vem degradando a capacidade ucraniana de proteger suas cidades dos mísseis balísticos russos.
Ao desembarcar em Washington na noite de segunda-feira (27), Zelensky escreveu no X que a prioridade de Kiev é "a defesa antibalística e a cooperação estratégica com os Estados Unidos".
Senado vota sanções nesta terça
A visita coincide com um movimento no Congresso americano. O Senado marcou para esta terça-feira a primeira votação processual do pacote bipartidário de sanções à Rússia, projeto apresentado em 2025 pelos senadores Lindsey Graham e Richard Blumenthal, segundo a UPI. Para ampliar o apoio, a tarifa prevista contra países que compram energia russa caiu de 500% para 100%.
A rádio RFE/RL informou, citando fontes no Congresso, que o líder da maioria, John Thune, encaminhou na quinta-feira (24) o requerimento que destravou a votação, e que os 100 senadores foram convidados para um encontro com Zelensky na noite desta terça. Trump endossou o projeto, mas pediu que ele seja ampliado para incluir sanções ao Irã e ao Hezbollah.
Funeral de Lindsey Graham
Oficialmente, a viagem de Zelensky tem como centro o funeral de Graham, celebrado nesta terça na Catedral Nacional de Washington. O senador republicano, um dos maiores defensores da Ucrânia no Congresso, morreu subitamente em 11 de julho, aos 71 anos, no retorno de uma viagem a Kiev, segundo a UPI. Zelensky disse ter apresentado condolências a Trump e chamou Graham de "amigo verdadeiro da Ucrânia".
Madrugada de ataques em Moscou
A reunião ocorreu horas depois de um ataque em larga escala de drones ucranianos contra a região de Moscou. Segundo o prefeito da capital russa, Sergei Sobyanin, cerca de 400 drones foram lançados durante a madrugada, e 81 foram abatidos na aproximação da cidade. Autoridades russas relataram danos em um prédio residencial e em uma planta de reciclagem; Kiev não confirmou a operação até a publicação desta reportagem, registrou a RFE/RL.
O pano de fundo é o mês mais letal para civis na Ucrânia desde abril de 2022: só em julho, Moscou lançou 120 mísseis balísticos e antinavio de alta velocidade, dos quais apenas 35 foram interceptados, segundo a força aérea ucraniana citada pela AFP. Para comparação, estimativas de especialistas apontam que a Rússia disparou entre 250 e 320 mísseis balísticos em todo o ano de 2024.
Netanyahu também foi recebido
No mesmo dia, Trump teve a primeira reunião com o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, desde o início da guerra conjunta dos dois países contra o Irã. O encontro também ocorreu a portas fechadas e, até a publicação desta reportagem, não havia detalhes divulgados — Netanyahu se limitou a publicar uma foto ao lado do presidente americano.
Na segunda-feira, o premiê havia antecipado o foco da conversa: "Discutiremos todos os temas da pauta, em primeiro lugar, o Irã", disse, acrescentando que o objetivo da viagem é "garantir a segurança, a força e o futuro" de Israel. Os dois líderes chegam pressionados: Netanyahu disputa a reeleição em meio a dificuldades políticas, e Trump enfrenta o desgaste de uma guerra impopular às vésperas das eleições de meio de mandato de novembro, observou a Jovem Pan.