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Anvisa aprova Aquipta, comprimido para prevenir enxaqueca

Atogepanto, da AbbVie, é indicado para adultos com ao menos quatro crises por mês. Preço e chegada às farmácias ainda dependem da CMED.

Redação Apuramos

Publicado em

Vitaly Gariev/Unsplash — imagem ilustrativa
Vitaly Gariev/Unsplash — imagem ilustrativa

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta terça-feira (8) o registro do Aquipta (atogepanto), medicamento oral da farmacêutica AbbVie para a prevenção da enxaqueca em adultos. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União e amplia as opções de tratamento para uma doença que atinge cerca de 15% da população mundial.

O comprimido é indicado para adultos que têm pelo menos quatro episódios de enxaqueca por mês. Segundo a Folhapress, a indicação vale para pacientes que respondem de forma insuficiente aos tratamentos já disponíveis.

De acordo com o portal ACidade ON, a Anvisa autorizou duas apresentações: comprimidos de 10 mg e 60 mg, em caixas com 28 unidades. O registro é válido até setembro de 2036. A Folha BV informa que a aprovação foi oficializada pela Resolução nº 3.458/2026.

COMO FUNCIONA

O atogepanto pertence à classe dos gepants, que bloqueiam o receptor do CGRP (peptídeo relacionado ao gene da calcitonina), molécula liberada pelo sistema nervoso trigeminal durante as crises e envolvida na transmissão da dor. Ao bloquear essa via, o remédio reduz os sinais associados à dor e à sensibilização dos nervos, prevenindo o desencadeamento das crises.

Por ser administrado por via oral, o Aquipta se diferencia dos anticorpos monoclonais contra o CGRP, que são aplicados por injeção. Segundo o ND Mais, a Anvisa destacou que muitas das opções preventivas existentes não atuam diretamente nos mecanismos biológicos da doença — o novo medicamento foi desenvolvido especificamente para essa via.

O QUE DIZEM OS ESTUDOS

A aprovação se baseou nos estudos de fase 3 ADVANCE e PROGRESS. Segundo a Folhapress, o ADVANCE acompanhou 910 participantes com enxaqueca episódica que usaram atogepanto 60 mg uma vez ao dia: a redução média foi de 4,1 dias de enxaqueca por mês, contra 2,5 dias no grupo placebo. Além disso, 59% dos pacientes tiveram queda de ao menos 50% na frequência das crises, ante 29% no placebo.

O PROGRESS avaliou 778 adultos com enxaqueca crônica durante 12 semanas. Nesse grupo, a redução média foi de 6,9 dias mensais de enxaqueca, contra 5,1 dias com placebo, com melhora na qualidade de vida. Nos dois estudos, os efeitos adversos mais comuns foram leves a moderados, como náusea, constipação e fadiga.

QUANDO CHEGA ÀS FARMÁCIAS

Apesar do registro, o Aquipta ainda não está à venda no Brasil. O preço depende de análise da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), e não há data prevista para a chegada às farmácias.

Segundo Fernando Mos, diretor médico da AbbVie Brasil, citado pela Folhapress, o remédio já é usado nos Estados Unidos e na Europa. Na União Europeia, o Aquipta foi autorizado em 2023 para prevenção em adultos com ao menos quatro dias de enxaqueca por mês; em 2026, a indicação europeia foi ampliada para o tratamento das crises agudas, conforme o ACidade ON. No Brasil, o uso deve seguir a bula aprovada pela Anvisa.

O registro também não significa oferta pelo SUS. A incorporação ao sistema público depende de avaliação da Conitec, que analisa evidências clínicas, alternativas existentes e a relação entre custos e benefícios.

POR QUE IMPORTA

A enxaqueca é uma doença neurológica considerada altamente incapacitante, marcada por crises recorrentes de dor de cabeça de intensidade moderada a grave, frequentemente acompanhadas de náuseas, vômitos e sensibilidade à luz e ao som. Além do sofrimento físico, a condição afeta o desempenho no trabalho e a vida social, e aumenta a procura por serviços de saúde.

Fontes consultadas nesta apuração

  • anvisa
  • enxaqueca
  • aquipta
  • atogepanto
  • abbvie
  • medicamentos
  • cgrp

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