O Setembro Amarelo de 2026 já está em curso com um recado direto: ouvir sem julgar também é uma forma de ajudar. O tema da campanha deste ano, definido pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), é “Escutar é estar presente”.
Segundo o site oficial do movimento, a proposta é lembrar que uma escuta acolhedora pode representar o primeiro passo para que alguém em sofrimento emocional encontre apoio e não enfrente esse momento sozinho.
A campanha ganha força às vésperas do Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, marcado para 10 de setembro — data que deu origem à cor amarela adotada pelo movimento. O Setembro Amarelo foi idealizado no fim de 2014 por um conjunto de entidades, entre elas o próprio CVV, e teve a primeira edição em 2015.
DOIS MILHÕES DE CONVERSAS EM UM ANO
Fundado em São Paulo em 1962, o CVV atende pelo telefone 188 — gratuito e disponível 24 horas —, além de chat, e-mail e atendimento presencial.
Conforme balanço da entidade divulgado pelo portal A Crítica, o serviço realizou cerca de 2 milhões de atendimentos em 2025. O número equivale a uma média de 5,5 mil conversas por dia.
O trabalho é feito por aproximadamente 3.200 voluntários, presentes em 19 estados e no Distrito Federal.
O QUE DIZEM OS NÚMEROS OFICIAIS
O retrato epidemiológico ajuda a explicar a insistência da campanha. De acordo com o Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde (volume 55, nº 4, de 2024), que analisou o período de 2010 a 2021, a taxa de mortalidade por suicídio no Brasil passou de 5,2 para 7,5 por 100 mil habitantes — alta de 42% em pouco mais de uma década.
Somente em 2021, foram registradas 15.507 mortes por suicídio no país, sendo 77,8% delas entre homens, segundo o mesmo levantamento.
O recorte por faixa etária preocupa. Dados do Ministério da Saúde apontam o suicídio como a segunda principal causa de morte entre adolescentes de 15 a 19 anos e a quarta entre jovens de 20 a 29 anos.
Um estudo da Unicamp citado pelo movimento Setembro Amarelo indica ainda que 17% dos brasileiros já pensaram, em algum momento, em dar fim à própria vida, e que 4,8% chegaram a elaborar um plano.
No mundo, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima mais de 700 mil mortes por suicídio a cada ano.
COMO PARTICIPAR DA CAMPANHA
O CVV afirma que aderir ao Setembro Amarelo vai além de iluminar prédios públicos de amarelo. A entidade defende palestras, debates, publicações e ações em escolas, empresas e órgãos públicos como formas de tratar o tema com informação e sem sensacionalismo.
Materiais gratuitos para divulgação — artes para redes sociais, cartazes e um guia para a imprensa — estão disponíveis na página oficial da campanha, no endereço setembroamarelo.org.br.
ONDE BUSCAR AJUDA
Quem estiver passando por sofrimento emocional pode ligar para o CVV no 188, a qualquer hora do dia, de graça e em sigilo. O atendimento também é feito por chat e e-mail, no site cvv.org.br.
Na rede pública, o acolhimento é oferecido pelos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e pelas Unidades Básicas de Saúde (UBS). Em situações de emergência, os contatos são o SAMU (192) e o pronto-socorro mais próximo.