O Sistema Único de Saúde (SUS) passou a contar com uma central que monitora, 24 horas por dia, os sinais vitais de pacientes internados em unidades de terapia intensiva de seis capitais brasileiras. A Central de Comando das UTIs Inteligentes foi apresentada pelo Ministério da Saúde nesta semana, no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP).
Segundo a Agência Gov, que publicou o material da pasta, a sala é equipada com seis telas grandes ligadas a todas as UTIs Inteligentes já em operação no país: Manaus (AM), Recife (PE), Brasília (DF), Belo Horizonte (MG), Rio de Janeiro (RJ) e Porto Alegre (RS).
Ao todo, são 60 leitos inteligentes ativos. Eles transmitem dados como frequência cardíaca, níveis de oxigênio e pressão arterial no instante em que são medidos, o que abre espaço para a chamada medicina preditiva — identificar a piora de um paciente antes que ela se agrave.
“Estamos falando de inteligência artificial real em uso no SUS, não de ficção científica. É a tecnologia aplicada na prática para cuidar das pessoas, tendo a estrutura do sistema público como base e ampliando o acesso a um cuidado mais qualificado”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
A expectativa do ministério é reduzir complicações clínicas e o tempo de internação. Na prática, isso aumenta a rotatividade dos leitos e amplia o acesso aos serviços do SUS. A central também deve gerar evidências científicas para embasar a ampliação de protocolos clínicos.
Rede deve chegar a 280 leitos
As UTIs Inteligentes são a primeira etapa da Rede Nacional de Hospitais e Serviços Inteligentes e Medicina de Alta Precisão no SUS, um programa de transformação digital hospitalar que prevê conectividade, interoperabilidade entre sistemas e uso de inteligência artificial.
Nesta fase, estão sendo instalados monitores multiparâmetros e centrais de monitoramento, montando a infraestrutura básica de conexão dos leitos. A etapa seguinte inclui respiradores pulmonares e camas inteligentes. Ao final, conforme o ministério, o país deve ter 280 leitos inteligentes em 14 instituições de saúde.
A iniciativa terá apoio técnico e operacional do HC-FMUSP e da organização social vencedora de edital publicado no Diário Oficial da União.
SAMU Inteligente já opera em três bases
A rede também abrange o SAMU Inteligente, voltado a integrar o atendimento pré-hospitalar às centrais de regulação e aos hospitais. O serviço já funciona em três bases estratégicas: Porto Alegre, Belo Horizonte e Recife.
“Com o novo serviço, em vez de o profissional do SAMU ter que ligar para o hospital a cada 3 minutos para informar o status do paciente, os dados já serão transmitidos em tempo real para a unidade de emergência. Na urgência e emergência, tempo é vida”, destacou Padilha.
De acordo com a Radioagência Nacional, da Agência Brasil, a sala de monitoramento em São Paulo funciona ininterruptamente, com o objetivo de agilizar os atendimentos.
Gestão do hospital inteligente e novo acelerador linear
Durante a visita à central, Padilha anunciou a seleção do Instituto Tecnológico de Medicina Inteligente do Brasil (ITMI) como a organização social responsável pela gestão do Instituto Tecnológico de Emergência do Hospital das Clínicas da USP, que será construído em São Paulo. A escolha ocorreu após o Chamamento Público 14/2026, no qual a entidade obteve a maior pontuação.
No mesmo hospital, o ministro visitou o novo acelerador linear do Instituto de Radiologia. O equipamento, do modelo Elekta Versa HD, recebeu R$ 8,5 milhões em investimento do Ministério da Saúde e permite direcionar a radiação ao tumor com mais precisão, poupando tecidos e órgãos saudáveis.
A previsão é de pelo menos 60 procedimentos por mês com o aparelho, o equivalente a 720 por ano.