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Saúde mental (03/09): pesquisa inédita já está em 197 cidades

Primeira Pesquisa Nacional de Saúde Mental do Brasil alcançou 197 municípios e 1.011 entrevistas até 28 de agosto. A meta é ouvir cerca de 10 mil adultos em 16.260 domicílios sorteados.

Redação Apuramos

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Vitaly Gariev/Unsplash — imagem ilustrativa
Vitaly Gariev/Unsplash — imagem ilustrativa

A primeira Pesquisa Nacional de Saúde Mental do Brasil (PNSM-Brasil) já bateu à porta de moradores de 197 municípios, em 26 unidades da federação. O balanço foi divulgado nesta quinta-feira (3) pelo Ministério da Saúde.

Segundo a Agência Gov, que publicou o material da pasta, o levantamento alcançou 619 setores censitários em diferentes regiões do país. Até 28 de agosto, a equipe técnica havia concluído 1.011 entrevistas completas.

O número ainda está distante da meta. O plano amostral prevê a abordagem de 1.626 setores censitários e 16.260 domicílios, com expectativa de aproximadamente 10 mil entrevistas válidas ao fim da coleta, iniciada em março deste ano.

Como a pesquisa é feita

A PNSM-Brasil é coordenada pelo Ministério da Saúde em parceria com a Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), responsável pela execução técnico-científica do estudo. O trabalho de campo é realizado pela Ipsos-Ipec, conforme informa o instituto em seu site.

Respondem pessoas com 18 anos ou mais. A seleção ocorre por amostragem probabilística, em etapas que envolvem municípios, setores censitários, domicílios e moradores. Os parâmetros de população e o desenho amostral seguem os adotados pelo IBGE, e em cada domicílio sorteado apenas um morador é entrevistado.

O questionário investiga a ocorrência de transtornos mentais na população adulta e sua relação com diferentes condições sociais e econômicas. Entre os aspectos analisados estão experiências de violência, situações traumáticas, desigualdades sociais e vulnerabilidades econômicas. O levantamento também busca identificar barreiras de acesso aos serviços de saúde mental.

Por que o governo quer esses dados

É o primeiro grande estudo de base populacional do país dedicado exclusivamente à saúde mental da população adulta. As informações devem subsidiar o planejamento e o monitoramento de ações no Sistema Único de Saúde (SUS) e a organização da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS).

"A pesquisa também poderá servir como linha de base para o acompanhamento de indicadores de saúde mental ao longo do tempo, contribuindo para a organização da rede de cuidado e para as estratégias de vigilância em saúde mental no país", afirmou Letícia Cardoso, diretora de Análise Epidemiológica e Vigilância de Doenças Não Transmissíveis do Ministério da Saúde.

Recusa e desconfiança atrapalham a coleta

O ministério reconhece dificuldades no campo. Entre os desafios identificados estão a recusa de participação e a necessidade de esclarecer dúvidas sobre o próprio levantamento.

Parte dos moradores abordados relata desconhecer a pesquisa e busca confirmar a legitimidade da atividade antes de responder. Ainda segundo o Ministério da Saúde, a preocupação em fornecer informações pessoais a entrevistadores pode estar relacionada ao contexto de golpes e fraudes. Os pesquisadores observam também que o estigma associado aos temas de saúde mental influencia a disposição de algumas pessoas em falar sobre suas experiências.

Para reduzir a desconfiança, a pasta orienta que a identidade dos entrevistadores seja conferida no site oficial da pesquisa, o pnsm-brasil.com.br, e no portal de verificação da Ipsos-Ipec. A Ipsos informa ainda que o estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UFES e que os dados coletados são mantidos em sigilo e anonimato.

O que vem depois

Concluída a coleta, as informações passarão por procedimentos de consistência, ponderação amostral e análise estatística. Só então o país terá o primeiro retrato nacional produzido especificamente sobre transtornos mentais, sofrimento psíquico e acesso ao cuidado entre adultos.

Quem precisa de atendimento em saúde mental pode procurar uma unidade básica de saúde ou um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) da rede pública.

Fontes consultadas nesta apuração

  • saúde mental
  • Ministério da Saúde
  • SUS
  • PNSM-Brasil
  • UFES
  • pesquisa
  • RAPS

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