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Anvisa aprova genéricos de liraglutida; caneta fica mais barata

Registros publicados no Diário Oficial autorizam a EMS a vender liraglutida sem marca, em canetas de 6 mg/mL para obesidade e diabetes tipo 2. Pela lei dos genéricos, o preço de entrada tem de ser ao menos 35% menor que o do remédio de referência.

Redação Apuramos

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Umanoide/Unsplash — imagem ilustrativa
Umanoide/Unsplash — imagem ilustrativa

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro de dois medicamentos genéricos à base de liraglutida, o princípio ativo das canetas injetáveis usadas no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2. As autorizações foram publicadas no Diário Oficial da União desta terça-feira (8) e concedidas à farmacêutica brasileira EMS.

Segundo a Agência Brasil, os dois produtos têm concentração de 6 mg/mL e tomam como referência canetas que a própria EMS já comercializa: o Olire, voltado ao controle de peso em adultos e adolescentes, e o Lirux, focado no gerenciamento da glicemia. O que muda é que as versões genéricas podem ser vendidas pelo nome do princípio ativo, sem estar vinculadas a uma marca comercial específica.

A CNN Brasil informou que ambos são soluções injetáveis para aplicação subcutânea e que os registros têm validade até setembro de 2036. No Diário Oficial, os medicamentos aparecem na categoria "genérico – registro de medicamento – clone", classificação usada quando a referência é um produto do próprio fabricante.

O ponto que mais interessa a quem faz o tratamento — o preço — ainda não foi divulgado. Como lembrou o Campo Grande News, a legislação brasileira determina que o genérico entre no mercado com preço máximo ao menos 35% inferior ao do medicamento usado como referência. A EMS não informou a data de início das vendas nem quanto cada apresentação vai custar nas farmácias.

A liraglutida é um agonista do receptor de GLP-1, a mesma classe da semaglutida (presente em Ozempic e Wegovy) e da tirzepatida (Mounjaro). A substância imita a ação de um hormônio que ajuda a controlar o açúcar no sangue, reduz o apetite e faz o estômago esvaziar mais devagar, o que prolonga a saciedade. Ela está em medicamentos conhecidos como Saxenda e Victoza.

A diferença mais perceptível para o paciente está na frequência de uso: a liraglutida é aplicada uma vez ao dia, enquanto semaglutida e tirzepatida costumam ter aplicação semanal. As três atuam de forma semelhante sobre fome, saciedade e glicose, mas não são equivalentes — doses, indicações e resultados variam, e a escolha depende de avaliação médica. A venda exige receita, conforme as regras da Anvisa.

De acordo com a CNN Brasil, o Olire é indicado para obesidade ou sobrepeso em pacientes com IMC acima de 27, desde que associado a alguma comorbidade, como diabetes tipo 2, hipertensão, colesterol alto, risco cardiovascular ou doenças renais e coronárias. O Lirux é destinado a adultos, adolescentes e crianças acima de 10 anos com diabetes tipo 2, quando dieta e exercício físico não bastam para controlar a glicemia. Estudos clínicos citados pela emissora apontam perda média de 8% a 10% do peso com o Olire ao longo de seis meses a um ano.

A aprovação amplia uma lista que cresceu ao longo de 2026. Em abril, a Anvisa informou haver cinco medicamentos à base de liraglutida registrados no país, de dois laboratórios, e outros sete pedidos em análise. A agência passou a priorizar a avaliação de produtos com liraglutida e semaglutida diante da necessidade de ampliar a oferta no mercado brasileiro.

Só no setor de semaglutida, segundo o Campo Grande News, a Anvisa autorizou desde maio as canetas Ozivy, Owozy, Seemasun, Zempneo, Semavy, Orsema, Semaclique e Yluméc, além de versões genéricas. Parte dessas opções ainda não chegou às farmácias.

Registro, porém, não é o mesmo que prateleira. Enquanto a EMS não anuncia preço e data, a liraglutida genérica segue como promessa de tratamento mais barato para dois problemas de saúde pública que crescem no Brasil.

Fontes consultadas nesta apuração

  • anvisa
  • liraglutida
  • canetas emagrecedoras
  • obesidade
  • diabetes tipo 2
  • genéricos
  • EMS

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