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Braskem sai do Ibovespa após pedido de recuperação extrajudicial

Petroquímica quer renegociar US$ 10,9 bilhões em dívidas e ganhou 90 dias de proteção contra execuções. B3 excluiu BRKM3 e BRKM5 de dez índices.

Redação Apuramos

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Julia Taubitz/Unsplash — imagem ilustrativa
Julia Taubitz/Unsplash — imagem ilustrativa

A Braskem, maior produtora de resinas termoplásticas das Américas, entrou em recuperação extrajudicial e já sente o efeito da decisão no mercado: desde terça-feira (25), as ações BRKM3 e BRKM5 não integram mais o Ibovespa nem outros nove índices da B3.

O pedido foi aprovado pelo Conselho de Administração da companhia na segunda-feira (24), com base na Lei 11.101/05. Em fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Braskem informou que busca “assegurar um ambiente jurídico estável, protegido e adequado para a negociação e a implementação da reestruturação das suas obrigações financeiras quirografárias no montante aproximado de US$ 10,9 bilhões”.

A empresa fez questão de delimitar o alcance da medida. Segundo o comunicado reproduzido pela CNN Brasil, a recuperação extrajudicial tem escopo “limitado, estritamente financeiro”, e não abrange obrigações com fornecedores, clientes e demais parceiros, que seguem sendo cumpridas normalmente. As operações industriais continuam funcionando.

O mercado reagiu rápido. De acordo com o InfoMoney, os papéis BRKM5 caíam 3,35%, a R$ 4,90, por volta das 10h56 da segunda-feira. Ao longo do pregão, a queda se aprofundou: a CNN Brasil registrou recuo de 6,71%, a R$ 4,73, com a Braskem liderando as perdas do dia — ainda que o Ibovespa tenha fechado em alta, perto dos 172 mil pontos.

Na tarde da segunda-feira, a B3 informou que os ativos da petroquímica seriam retirados de uma série de carteiras a partir do dia seguinte. A lista inclui Ibovespa (IBOV), IBrX (IBRA), IBrX-50 (IBXX), Small Caps (SMLL), IGCX, IGCT, IMAT, INDX, ISEE e Itag Along (ITAG).

Como funciona a recuperação extrajudicial

Diferente da recuperação judicial, o instrumento permite que a empresa negocie diretamente com os credores e leve o acordo à Justiça apenas para homologação. Como explica a CNN Brasil, se a companhia não obtiver o apoio necessário, o processo pode acabar convertido em recuperação judicial.

Segundo o Brazil Journal, o pedido teve adesão de mais de um terço dos credores — percentual mínimo para garantir a proteção — e assegura 90 dias de blindagem contra execuções, afastando por ora o risco de uma RJ. A medida cautelar anterior, que suspendia cobranças por 60 dias, vencia justamente na segunda-feira.

O que ainda está em aberto

Agora começa a parte difícil: montar um plano definitivo aceito por grupos com interesses distintos. Os maiores credores são detentores de bonds, com cerca de 65% do total; o restante da dívida está com bancos estrangeiros.

Ainda conforme o Brazil Journal, quatro pontos concentram as divergências: a necessidade e o tamanho de uma injeção de dinheiro novo, uma eventual conversão de dívida em ações (com diluição dos atuais acionistas), as garantias oferecidas aos credores e as condições de alongamento da dívida. Fundos como Contrarian e Elliott pressionam por uma capitalização de até US$ 4 bilhões com participação da Petrobras. A estatal e a IG4, principais acionistas, aceitaram incluir a possibilidade de aumento de capital no desenho da negociação, sem compromisso imediato.

O movimento vem poucos dias depois de a Braskem Idesa, joint venture com o grupo mexicano Idesa, pedir Chapter 11 nos Estados Unidos. O plano prevê reduzir a dívida sênior de cerca de US$ 2,5 bilhões para US$ 1,6 bilhão, com aporte de US$ 476 milhões da Braskem.

Criada em 2002 a partir da integração de empresas da Odebrecht e do Grupo Mariani, a Braskem é hoje a maior produtora de polipropileno dos Estados Unidos. Nos últimos 12 meses, as ações acumulam queda de 42%, e a companhia vale cerca de R$ 3,6 bilhões na Bolsa.

Fontes consultadas nesta apuração

  • braskem
  • recuperação extrajudicial
  • b3
  • ibovespa
  • petroquímica
  • petrobras

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