Apuramos.

Lemos todas as fontes. Você decide.

Sobre
Política

Defesa de Bolsonaro cita Caso Master e pede liberdade ao STF

Advogado Paulo Cunha Bueno aponta contradições nas decisões do ministro Alexandre de Moraes para pedir revisão da condenação por tentativa de golpe.

Redação Apuramos

Publicado em

Ramon Buçard/Unsplash — imagem ilustrativa
Ramon Buçard/Unsplash — imagem ilustrativa

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro protocolou na noite desta sexta-feira (25) um novo pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF): a soltura imediata do ex-presidente e a revisão criminal da condenação a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado. O argumento central é inédito — a defesa usa como base as próprias contradições apontadas pelo ministro Alexandre de Moraes na sessão do chamado Caso Master, que investiga se ele extrapolou seus poderes ao conduzir sozinho o inquérito contra o banqueiro Daniel Vorcaro.

Segundo a CNN Brasil, a petição foi apresentada pelo advogado Paulo Cunha Bueno e sustenta que Moraes adotou "critérios diferentes" em situações idênticas. Na sessão do Caso Master, realizada em 15 de setembro, o ministro teria defendido que um magistrado não pode agir simultaneamente como investigador na fase de inquérito — exatamente o que a defesa alega ter ocorrido no processo que condenou Bolsonaro.

De acordo com o Metropoles, o advogado também aponta uma segunda contradição envolvendo a cadeia de custódia das provas digitais. Moraes teria alegado, no caso que apura sua própria conduta, não ter tido tempo suficiente para analisar o conteúdo do celular de Vorcaro — o mesmo tipo de argumento que a defesa de Bolsonaro diz ter apresentado, sem sucesso, ao pedir mais prazo para examinar os 70 terabytes de provas digitais reunidos contra o ex-presidente.

"Decisões não podem divergir diante de situações e argumentos idênticos, sob risco de incorrermos em jurisprudência de ocasião", afirmou Cunha Bueno, segundo o Brasil247.

A petição também cita um laudo técnico que identificaria "diversas quebras na cadeia de custódia" das provas digitais usadas no processo da trama golpista — outro ponto em que a defesa busca espelhar o padrão adotado pelo próprio Moraes no caso que o envolve.

O pedido chega poucos dias depois de a defesa de Bolsonaro já ter recorrido ao ministro Kassio Nunes Marques, em 24 de setembro, para tentar suspender a pena de 27 anos por tentativa de golpe, sob a alegação de "liberdade suprimida". Moraes segue como relator do processo principal, enquanto o inquérito que apura sua conduta no Caso Master foi aberto a pedido do ministro André Mendonça e teve a permanência do procurador-geral da República, Paulo Gonet, referendada pelo Conselho Superior do Ministério Público Federal nesta semana.

Na prática, avalia a CNN Brasil, a estratégia da defesa busca colocar a Corte diante de um dilema: manter a coerência jurídica soltando Bolsonaro ou aprofundar a investigação contra Moraes. O STF ainda não decidiu quem vai relatar o novo pedido nem estabeleceu prazo para análise.

Bolsonaro está preso desde novembro de 2025, condenado por liderar uma organização que tentou impedir a posse do presidente eleito e permanecer no poder após a derrota nas eleições de 2022. A defesa argumenta que a revisão criminal é o instrumento cabível para reabrir a discussão sobre provas e nulidades já depois do trânsito em julgado.

Procurados, o gabinete de Alexandre de Moraes e a Procuradoria-Geral da República não haviam se manifestado sobre o novo pedido até a publicação desta reportagem.

Fontes consultadas nesta apuração

  • Bolsonaro
  • STF
  • Caso Master
  • Alexandre de Moraes
  • Paulo Gonet

Mais de Política