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Dia da Amazônia (05/09): desmatamento é o menor desde 2016

Alertas do Deter caíram 36,87% entre agosto de 2025 e julho de 2026, para 2.874,38 km². Reino Unido anunciou nesta semana 400 milhões de libras para o fundo de florestas tropicais criado pelo Brasil.

Redação Apuramos

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Ivars Utināns/Unsplash — imagem ilustrativa
Ivars Utināns/Unsplash — imagem ilustrativa

O Brasil chega ao Dia da Amazônia deste sábado (5) com o melhor resultado de desmatamento de uma década. Entre agosto de 2025 e julho de 2026, os alertas emitidos na floresta somaram 2.874,38 km², uma queda de 36,87% em relação ao ciclo anterior. É o menor volume desde 2016, quando começou a série histórica do sistema de monitoramento do Inpe.

Os dados são do Deter, o Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real, e foram apresentados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais em São José dos Campos, no interior de São Paulo. Segundo a Agência Brasil, na medição do período anterior a área sob alerta havia sido de 4.495 km².

A devastação registrada no último ciclo também é 55,6% inferior à média dos dez períodos anteriores, de 2015/2016 a 2025/2026.

Entre os estados amazônicos, os maiores volumes de alertas ficaram com o Pará (987,27 km²), Mato Grosso (834,41 km²), Amazonas (433,9 km²), Roraima (272,6 km²), Acre (153,8 km²) e Rondônia (114,3 km²). Na comparação com o ciclo anterior, Mato Grosso teve redução de 49%, o Amazonas de 46,7%, Rondônia de 41,2%, o Acre de 35,3% e o Pará de 25,5%. Roraima foi na contramão, com alta de 32,5% nos alertas.

No Cerrado, o Deter apontou recuo menor: 7,8%, com 5.119,46 km² identificados no mesmo intervalo. Diferentemente da Amazônia, a maior parte dessas áreas é de propriedade privada.

Deter e Prodes: o que cada um mede

O Deter usa imagens de satélite para flagrar alterações na cobertura vegetal em grandes áreas quase em tempo real. Os alertas servem para orientar a fiscalização ambiental, mas não representam a taxa anual consolidada.

Esse cálculo cabe ao Prodes, o Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite, referência oficial para medir a perda de vegetação ao longo do tempo. Pelo Prodes, 2025 fechou com queda de 20,1% no desmatamento em todo o Brasil na comparação com 2024, com redução em todos os biomas: Pantanal (-65,4%), Pampa (-41,7%), Caatinga (-34,3%), Amazônia (-15,8%) e Cerrado (-11,5%).

Repercussão

Em nota reproduzida pela Agência Brasil, o secretário-executivo do Observatório do Clima, Marcio Astrini, classificou os dados como históricos e afirmou que eles provam ser possível cumprir o compromisso brasileiro de zerar e reverter o desmatamento até 2030.

Para a diretora de Ciência do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), Ane Alencar, os números indicam consolidação da queda. "Isso mostra a possibilidade de o país realmente continuar seguindo uma trajetória para alcançar o desmatamento zero. Prova que é possível reduzir o desmatamento na Amazônia, mesmo com todas as adversidades como as mudanças climáticas e o El Niño", disse.

Reino Unido entra no fundo das florestas

A data também chega dias depois de um reforço no financiamento internacional. Na última quinta-feira (3), o Reino Unido anunciou a intenção de investir 400 milhões de libras no Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), iniciativa lançada pelo Brasil na COP30, em Belém, em novembro do ano passado.

Conforme a Agência Brasil, o aporte será feito na forma de empréstimo, e não de doação, e ainda depende da conclusão da estrutura de governança e das regras operacionais do fundo. O governo britânico afirma que a modalidade amplia o volume de financiamento climático sem elevar o custo para os contribuintes.

Pelo desenho do TFFF, países que mantiverem suas florestas em pé são recompensados financeiramente, com pagamento liberado apenas após verificação por imagens de satélite que confirmem desmatamento abaixo de limites pré-definidos. O mecanismo prevê destinar ao menos 20% dos pagamentos nacionais a povos indígenas e comunidades tradicionais.

"É muito significativo ver o Reino Unido se somar ao TFFF neste momento decisivo", avaliou o diretor-executivo do WWF-Brasil, Mauricio Voivodic, para quem o anúncio pode estimular novas adesões.

Celebrado em 5 de setembro, o Dia da Amazônia faz referência à criação da Província do Amazonas, em 1850, e virou marco anual para medir o quanto o país avança na proteção do maior bioma brasileiro.

Fontes consultadas nesta apuração

  • Dia da Amazônia
  • desmatamento
  • Amazônia
  • Inpe
  • Deter
  • Prodes
  • TFFF
  • meio ambiente

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