O dólar fechou em alta e o Ibovespa interrompeu a sequência de ganhos nesta quarta-feira (9), em um pregão dominado pela disparada do petróleo e pela escalada militar no Oriente Médio. Segundo o Poder360, a moeda americana terminou o dia cotada a R$ 5,112, avanço de 0,51%.
Ao longo da sessão, o dólar oscilou entre a mínima de R$ 5,081 e a máxima de R$ 5,115. O movimento interrompeu a trajetória de queda dos dias anteriores, quando a moeda havia recuado com a melhora da percepção do mercado sobre o cenário eleitoral brasileiro.
A Bolsa brasileira fechou aos 185.629,05 pontos, queda de 0,93%. O índice oscilou da máxima de 187.362,44 pontos à mínima de 184.810,27 pontos, com volume financeiro de R$ 17,53 bilhões. Na terça-feira (8), o Ibovespa havia subido 1,20%, aos 187.366,84 pontos, conforme dados do InfoMoney.
Petróleo acima de US$ 100 mudou o humor
O gatilho do dia veio das commodities. O barril do petróleo Brent superou a marca de US$ 100 pela primeira vez desde 24 de julho: chegou a subir 2,38%, a US$ 100,29, enquanto o WTI avançava 1,97%, a US$ 94,86, de acordo com o InfoMoney.
A alta acompanhou uma nova rodada de ataques no Oriente Médio. Os Estados Unidos afirmaram ter destruído cinco petroleiros iranianos carregados de petróleo bruto, em resposta a tentativas de ataque com mísseis balísticos contra um navio de guerra da Marinha americana. Em retaliação, o Irã lançou mísseis contra uma base dos EUA na Jordânia e advertiu embarcações que navegam pelo Golfo Pérsico. Forças houthis do Iêmen, apoiadas por Teerã, também atacaram cidades da Arábia Saudita, envolvendo no conflito outro aliado importante de Washington.
Petróleo mais caro pressiona a inflação global e reduz o espaço para os bancos centrais afrouxarem a política monetária. Foi esse cálculo que empurrou investidores para ativos de proteção: os três principais índices de Nova York — Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq — fecharam no vermelho, e os juros futuros brasileiros avançaram, segundo o Poder360.
STF e eleição no radar doméstico
Além do cenário externo, dois fatores locais pesaram sobre a Bolsa. O primeiro foi a correção natural após a forte alta recente do Ibovespa, que vinha de uma sequência de pregões positivos.
O segundo foi a tensão no Supremo Tribunal Federal. O presidente da Corte, Edson Fachin, estabeleceu prazo de 72 horas para que o ministro André Mendonça se manifeste sobre o pedido da Advocacia-Geral da União para suspender o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal e do diretor de inteligência da corporação, informou a Reuters, em texto reproduzido pelo InfoMoney.
O Poder360 aponta ainda que o ciclo eleitoral de 2026 e as expectativas em torno do ajuste fiscal seguem no radar, com Flávio Bolsonaro (PL) se aproximando de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas pesquisas mais recentes.
Inflação no curto prazo
No campo dos indicadores, o IPC-S da primeira quadrissemana de setembro subiu 0,51%, acima da divulgação anterior, e acumula variação de 3,78% em 12 meses, segundo a Fundação Getulio Vargas.
Para os próximos dias, a atenção do mercado se volta aos dados de inflação ao consumidor e ao produtor nos Estados Unidos, que devem indicar se a alta dos preços da energia já contamina o índice cheio. Uma sequência de reuniões de bancos centrais nas próximas semanas também está no calendário.
As cotações citadas se referem ao fechamento desta quarta-feira e podem variar nos próximos pregões.