O eclipse solar total desta quarta-feira (12) escurece o fim da tarde no Atlântico Norte e na Europa Ocidental, e tem seu ponto mais aguardado na Espanha, que volta a ver o Sol completamente coberto pela Lua pela primeira vez em mais de um século. Segundo a NASA, a faixa de totalidade atravessa a Groenlândia, a Islândia, o norte da Rússia, o oceano Atlântico, a Espanha e um pequeno trecho do noroeste de Portugal.
Pelo horário de Brasília, a totalidade começa a ser vista em Reykjavik, na Islândia, por volta das 13h48. Na Espanha, a fase parcial tem início às 14h30 e o Sol fica totalmente encoberto entre 15h26 e 15h33, com o fenômeno se encerrando perto das 16h20, de acordo com os horários publicados pelo jornal espanhol El Español e pela agência espacial americana.
Como assistir de qualquer lugar
Quem está fora da rota pode acompanhar a transmissão ao vivo da NASA, que começa às 14h15 no horário de Brasília e mostra imagens ao longo da faixa de totalidade, além de entrevistas com especialistas.
Onde o eclipse será total
A faixa de totalidade corta a Espanha de oeste a leste e passa por 13 comunidades autônomas, da Galícia às Ilhas Baleares. Entre as cidades no caminho estão A Coruña, Oviedo, León, Burgos, Bilbao, Zaragoza, Valência e Palma de Mallorca. Em León, pelos cálculos da NASA, a totalidade dura cerca de dois minutos, entre 15h28 e 15h30 de Brasília.
Há divergência sobre quanto do Sol será coberto nas grandes capitais fora da faixa: o El Español fala em cerca de 95% em Madri, Barcelona e Sevilha, enquanto as tabelas da NASA indicam 99% para Madri e Barcelona. Lisboa deve ver 95% do disco solar encoberto; Londres, 91%; e Paris, 92%.
Como a Espanha está no fim da trajetória, o eclipse acontece com o Sol muito baixo no horizonte, pouco antes do pôr do sol. Para a maioria dos observadores na faixa de totalidade, o Sol fica completamente encoberto por menos de dois minutos, informa a NASA.
Dá para ver do Brasil?
Praticamente não. A NASA não inclui o Brasil entre as regiões com eclipse visível — a agência lista fases parciais no norte dos Estados Unidos, no Canadá, em boa parte da Europa e no noroeste da África.
A Gazeta do Povo, com informações da agência EFE, afirma que apenas uma pequena faixa do litoral do Rio Grande do Norte pegaria um trecho da penumbra, entre cerca de 16h15 e 16h43 de Brasília, com obscurecimento mínimo. Em nenhuma hipótese a totalidade será vista em território brasileiro.
Espanha espera até 1,5 milhão de deslocamentos
O governo espanhol tratou o dia como evento de massa. Segundo o Ministério da Ciência, Inovação e Universidades, a mobilidade pode crescer entre 30% e 100% em direção à faixa de totalidade, o que representaria de 400 mil a 1,5 milhão de viagens extras.
A Direção-Geral de Trânsito (DGT) classificou a data como Evento de Alta Afetação ao Tráfego e proibiu parar o carro em acostamentos e pistas para observar o fenômeno, além de recomendar que ninguém dirija usando os óculos de eclipse. O ministério e a Fundação Espanhola para a Ciência e a Tecnologia lançaram um visualizador on-line para ajudar as pessoas a achar um bom ponto de observação perto de casa e evitar deslocamentos desnecessários.
O Observatório de Yebes, em Guadalajara, é o centro oficial de acompanhamento. A NASA informou que equipes financiadas pela agência vão perseguir a sombra da Lua com um avião a jato de grande altitude e balões científicos para estudar a atmosfera solar.
Como olhar sem machucar os olhos
A NASA reforça que só é seguro olhar diretamente durante os breves instantes de totalidade. Em todas as outras fases é obrigatório usar óculos específicos para eclipse, que seguem a norma internacional ISO 12312-2 — óculos de sol comuns não servem, por mais escuros que sejam. Também não se deve olhar pelo visor de câmeras, telescópios ou binóculos usando os óculos de eclipse: a luz concentrada fura o filtro.
Na Espanha, o órgão de defesa do consumidor retirou do mercado modelos de óculos das marcas Lionstar, ECP Eye Care Professional, Pelispan, Homanaje, Orro e Opticalia. O governo pediu atenção redobrada com crianças e idosos, que podem tirar a proteção sem perceber. Uma alternativa segura é a projeção indireta, com um furo em um cartão projetando a imagem do Sol em uma superfície.
Estas são recomendações de órgãos oficiais e não substituem avaliação profissional; em caso de desconforto visual após a observação, procure um oftalmologista.
O eclipse pode derrubar a energia na Europa?
Os operadores dizem que não há risco de apagão generalizado, mas o dia exige planejamento. A Rede Europeia de Operadores de Sistemas de Transmissão (ENTSO-E) calcula que, com céu limpo, a geração fotovoltaica no continente pode cair até 9,7 gigawatts durante o fenômeno. A energia solar respondeu por cerca de 13% da eletricidade da União Europeia em 2025.
Na Espanha, a Red Eléctrica estima perda de até 5 GW na Península Ibérica, o equivalente a cerca de 13% da demanda máxima de uma quarta-feira típica de agosto. Em Portugal, a REN projeta queda de aproximadamente 450 MW entre 18h30 e 20h30 locais, com rampa de até 35 MW por minuto, compensada por reservas hídricas e térmicas. A Comissão Europeia afirmou que não vê problema de segurança no fornecimento.
No Reino Unido, a fornecedora Octopus Energy transformou a data em experimento: clientes que reduzirem o consumo durante o eclipse ganham uma hora de energia gratuita no domingo, limitada a 16 kWh.