Donald Trump rejeitou uma proposta do Irã para um cessar-fogo de sete dias e disse a assessores que espera retomar os bombardeios contra o país depois das eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, marcadas para novembro. A informação é do Wall Street Journal, citada nesta sexta-feira (26) pela Anadolu Agency e pelo Times of Israel.
Segundo o jornal americano, o Irã apresentou a proposta por meio de mediadores do Catar: em troca do fim do bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos a portos iranianos e do afrouxamento de sanções ao petróleo do país, Teerã se comprometeria a reabrir o Estreito de Ormuz — rota por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial — e a retomar as negociações sobre seu programa nuclear.
Autoridades americanas informaram a Teerã e aos mediadores que "não há plano de suspender o bloqueio", segundo o WSJ. A aposta de Washington é que a pressão econômica sustentada force o governo iraniano a aceitar as condições impostas pelos Estados Unidos.
Nos últimos sete meses, Trump alternou entre aproximação diplomática, ações militares e pressão via sanções contra o Irã, aponta a reportagem. Reservadamente, o presidente tem se mostrado cético de que o país do Oriente Médio vá de fato desmantelar seu programa nuclear — postura que contrasta com declarações públicas mais otimistas sobre um possível acordo após o pleito de novembro. Ainda assim, autoridades ouvidas pelo jornal dizem que Trump está relutante em autorizar uma nova ofensiva militar de grande escala, em parte por causa do desgaste no estoque americano de munições.
Do lado iraniano, a Guarda Revolucionária rejeitou os novos termos propostos e defende um retorno aos elementos de um acordo preliminar fechado em junho, enquanto o país se prepara para um conflito prolongado, segundo a mesma apuração.
Em fala a jornalistas, Trump confirmou a recusa. "Eles fizeram uma proposta, mas eu rejeitei", disse, segundo o Times of Israel. "Eles querem fechar um acordo para abrir o estreito imediatamente, porque estão perdendo feio." Mais cedo, na rede Truth Social, o republicano já havia reforçado: "O IRÃ NÃO PODE TER UMA ARMA NUCLEAR!!!"
O episódio ocorre em meio a outras tensões no Oriente Médio nesta sexta-feira. Também segundo o Times of Israel, a França trabalha em uma resolução na ONU para reforçar a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz, e a Arábia Saudita informou ter interceptado dois drones houthis lançados contra Riad. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, deve permanecer em Nova York até quarta-feira para continuar as conversas de mediação.
Autoridades americanas citadas pelo WSJ ponderam, porém, que a posição de Trump pode mudar dependendo do resultado das eleições de meio de mandato em novembro — o que deixa em aberto se os bombardeios de fato serão retomados ou se um novo espaço para negociação pode se abrir antes disso.