Paquistão, Arábia Saudita e Turquia discutem nesta semana como colocar em prática o pacto de defesa mútua que os três países assinaram em agosto, depois que os houthis do Iêmen intensificaram ataques contra território saudita, incluindo um míssil disparado contra a capital Riad. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (25) pela CNN Brasil.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores do Paquistão, os chanceleres dos três países "discutiram planos para convocar uma reunião de emergência dos chefes" militares para avaliar o tipo de assistência prevista no acordo conjunto.
O chamado Acordo Conjunto de Defesa de Meca foi assinado em 7 de agosto, na cidade saudita que dá nome ao pacto, pelo príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman, pelo presidente turco Recep Tayyip Erdogan e pelo primeiro-ministro paquistanês Shehbaz Sharif. O texto estabelece que um ataque contra qualquer um dos signatários será tratado como um ataque contra todos — lógica semelhante à do artigo 5 da Otan, segundo o Poder360.
O acordo não lista medidas automáticas de resposta militar nem obriga os países a agir de forma coordenada em toda circunstância. O vice-presidente turco, Cevdet Yilmaz, classificou o pacto como "exclusivamente defensivo" e disse que ele "não é direcionado contra nenhum país". Já o vice-ministro saudita para Diplomacia Pública, Rayed Krimly, afirmou que o acordo "não cria um bloco militar" nem está ligado a uma corrida armamentista. O chanceler turco, Hakan Fidan, reforçou que o pacto "não identifica um inimigo comum nem tem como alvo um país específico".
A primeira prova prática do acordo veio das forças houthis, grupo alinhado ao Irã que controla a capital iemenita, Sanaa, e boa parte do litoral do Mar Vermelho. Em 19 de setembro, um míssil balístico lançado pelos houthis contra Riad foi interceptado pela defesa aérea saudita, segundo o porta-voz da coalizão liderada pelo país, major-general Turki al-Malki. Imagens mostraram fumaça e chamas próximas ao Aeroporto Internacional Rei Khalid, de acordo com o jornal português Público.
Os houthis também reivindicaram ataques com mísseis e drones contra instalações da Saudi Aramco em Yanbu, porto que recebe o oleoduto Leste-Oeste e é considerado estratégico para as exportações sauditas de petróleo. O porta-voz militar do grupo, Yahya Saree, descreveu a ofensiva como retaliação a ações sauditas contra Sanaa.
O grupo declarou em julho um bloqueio naval contra a Arábia Saudita e ameaça o estreito de Bab al-Mandeb, corredor por onde passa parte relevante do petróleo transportado globalmente. O Conselho de Segurança da ONU já condenou a escalada e seus efeitos sobre civis e infraestrutura de energia.
O pacto de Meca foi fechado após quase um ano de negociações, em meio ao aumento da tensão no Oriente Médio desde os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro. Segundo o Poder360, o movimento reflete o esforço saudita de diversificar alianças diante da instabilidade regional.
Por ora, não há confirmação de que Paquistão ou Turquia tenham enviado apoio militar direto à Arábia Saudita. A reunião de emergência entre os chefes militares dos três países ainda não tem data definida.