O furacão Lala deixou ao menos uma pessoa morta e mais de 200 mil clientes sem energia elétrica no Havaí. A tempestade passou pelo extremo sul da Ilha Grande na noite de sábado (15) e foi rebaixada à categoria de tempestade tropical na manhã deste domingo (16), com ventos sustentados de 105 km/h e chuva intensa, segundo a CNN Brasil, que cita a agência Reuters.
Os apagões atingem todas as ilhas do arquipélago. Quase 70% da Ilha Grande está sem luz, informou a CNN Brasil. Pelo balanço da Hawaii News Now, às 7h no horário local, cerca de 58 mil clientes seguiam sem eletricidade na Ilha Grande — incluindo todo o lado leste e sul, além de Waimea e Honokaa —, aproximadamente 28,7 mil no condado de Maui e outros 110,7 mil em Oahu.
A única morte confirmada até agora não foi causada diretamente pelo vento. Segundo o prefeito do condado do Havaí, Kimo Alameda, em entrevista ao Honolulu Civil Beat, uma pessoa morreu em uma colisão frontal na tarde de sábado em Hawaiian Ocean View Estates. Outras três ficaram gravemente feridas quando uma árvore caiu sobre elas em Puna, e foram levadas ao Hilo Medical Center.
Tecnicamente, Lala não tocou o solo. O Serviço Nacional de Meteorologia dos Estados Unidos informou que o centro do olho da tempestade não cruzou terra firme ao passar pela ponta sul da ilha. Um furacão não atinge diretamente a ilha do Havaí há 155 anos, lembrou o Civil Beat — o que não impediu os estragos. “Estamos sentindo os impactos”, disse o prefeito Alameda.
No sábado, os ventos máximos sustentados de Lala chegaram a 120 km/h, o que a classificou como furacão de categoria 1. Rajadas próximas de 145 km/h foram registradas em pontos da Ilha Grande, e nas maiores altitudes os ventos ultrapassaram 160 km/h no fim da tarde de sábado, de acordo com o Civil Beat.
A chuva é o outro problema. Um alerta do Centro Nacional de Furacões emitido às 2h previu de 10 a 20 cm adicionais de água na Ilha Grande e no lado leste de Maui, o que levaria o acumulado a algo entre 76 e 89 cm desde a noite de sexta-feira, conforme a CNN Brasil. O rio Wailuku, em Hilo, subiu de cerca de 1 metro na noite de sexta para 4,9 metros na manhã de sábado, segundo dados do Serviço Geológico dos EUA (USGS). Mais de 30 estradas foram fechadas na Ilha Grande, e o condado falou em “número recorde” de bloqueios.
O governador Josh Green pediu que os moradores permanecessem em casa, e o Centro Nacional de Furacões manteve avisos sobre condições que representam risco de vida, com alerta para deslizamentos e inundações em áreas de encosta.
A retomada do fornecimento de energia deve ser lenta. A Hawaiian Electric (HECO) afirmou à Hawaii News Now que houve dano significativo às linhas de transmissão — descritas pelo porta-voz Darren Pai como as “artérias principais” do sistema — e que os clientes devem se preparar para apagões prolongados, que podem durar semanas ou até meses nas áreas rurais mais castigadas da Ilha Grande.
Mais de 63 mil clientes já tiveram a energia religada desde o início da tempestade. A empresa pediu reforço a concessionárias do continente americano: cerca de 100 profissionais devem chegar na terça-feira e começar a trabalhar já na quarta.
“Nossas equipes estão no chão trabalhando sem parar para acender suas luzes de novo”, disse Pai. Ele explicou que o trabalho precisou ser suspenso no auge da tempestade porque o vento tornou inseguro operar caminhões com cestos aéreos a 9 ou 12 metros de altura.
A concessionária orienta que fios caídos sejam sempre tratados como energizados, com distância mínima de 9 metros, e que cruzamentos com semáforos apagados sejam tratados como parada obrigatória nos quatro sentidos.