Ibovespa tem 2ª semana negativa; dólar sobe a R$ 5,18
Bolsa brasileira fechou a sexta-feira (25) em queda, pressionada pela inflação e por juros nos EUA, enquanto o dólar acumulou alta na semana, a R$ 5,18.
Redação Apuramos
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Bolsa brasileira fechou a sexta-feira (25) em queda, pressionada pela inflação e por juros nos EUA, enquanto o dólar acumulou alta na semana, a R$ 5,18.
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O Ibovespa fechou a sexta-feira (25) em queda de 0,27%, aos 183.476,86 pontos, e amargou a segunda semana consecutiva no vermelho, com recuo acumulado de 0,95%. O dólar comercial teve movimento oposto ao longo da semana: caiu 0,23% no pregão de sexta, a R$ 5,181, mas fechou os cinco dias com alta.
Segundo o InfoMoney, o dólar acumulou ganho de 0,74% na semana, enquanto a Exame registrou variação semanal de 0,72% para a moeda americana — ambas as reportagens confirmam que a divisa terminou o período em alta, mesmo com a queda do último pregão.
O principal fator de pressão sobre os mercados foi a divulgação do IPCA-15 de setembro, que subiu 0,70%, acima da mediana de 0,53% esperada por analistas. De acordo com o InfoMoney, o custo de energia elétrica disparou 7,42% no indicador, em razão do fim da incorporação do bônus de Itaipu na conta de luz, item que sozinho respondeu por 40% do resultado do índice. O dado reforçou a leitura de que o Banco Central terá menos espaço para acelerar cortes de juros.
No exterior, os retornos dos títulos do Tesouro americano de 10 anos bateram cerca de 5,15%, patamar não visto desde 2007, segundo a Exame, o que aumentou a cautela de investidores estrangeiros com ativos de risco, incluindo os emergentes. Para Lucas Xavier, head da AW Capital, em declaração à Exame, "a dinâmica dos juros futuros e do dólar combina as pressões inflacionárias domésticas com a maior cautela dos investidores estrangeiros".
O petróleo caiu com força na sessão — o Brent para novembro recuou 2,14%, a US$ 104,32 o barril, e o WTI cedeu 2,33%, a US$ 92,41 — ao refletir expectativas de negociações entre Estados Unidos e Irã sobre o Estreito de Ormuz, conforme a Exame. A queda do petróleo ajudou os índices de Wall Street a fechar em alta: o S&P 500 subiu 0,51%, o Dow Jones avançou 0,93% e o Nasdaq teve ganho de 0,48%.
Entre as ações da B3, os destaques positivos ficaram com Azzas 2154, que disparou 12,97%, e Magazine Luiza, com alta de 7,30%; os grandes bancos também fecharam no positivo, casos de Itaú (+0,62%) e Bradesco (+0,56%). Do lado das perdas, Petrobras caiu cerca de 2%, Ultrapar recuou 5,77% e Vibra cedeu 4,96%, refletindo o tombo do petróleo. A Hapvida também esteve entre as maiores baixas, com queda de 3,10%, segundo o InfoMoney.
O cenário político também pesou sobre o humor dos investidores. O InfoMoney apontou que a mais recente pesquisa Datafolha manteve Lula com vantagem de apenas 2 pontos sobre Flávio Bolsonaro em um cenário de segundo turno, o que sustenta a percepção de incerteza eleitoral às vésperas de outubro. Some-se a isso a medida provisória anunciada por Lula para proibir as apostas esportivas (bets), que atinge cerca de 9 milhões de usuários mensais e um mercado estimado em R$ 20 bilhões por ano, segundo a mesma reportagem.
Com o volume financeiro do pregão de sexta em R$ 15,5 bilhões, o Ibovespa amplia para 13,87% o ganho acumulado no ano, apesar das duas semanas seguidas de perdas. Investidores agora voltam as atenções para os próximos indicadores de inflação e para o desenrolar do cenário eleitoral, que devem seguir ditando o ritmo do câmbio e da bolsa nas próximas semanas.
Ações da Azzas 2154 saltaram até 18% na sexta-feira (25) depois que o Morgan Stanley abriu prazo para propostas pela grife carioca Farm Rio, negócio que analistas apontam poder gerar dividendo extraordinário aos acionistas.
Prévia da inflação oficial supera as projeções do mercado e acumula 4,47% em 12 meses, puxada pelo fim do desconto na conta de luz que vinha da usina de Itaipu.
Relatório de Política Monetária divulgado nesta quinta (24) aponta desaceleração da economia brasileira e mantém projeção de inflação acima do teto da meta.