IPCA-15 acelera a 0,70% em setembro, acima do esperado
Prévia da inflação oficial supera as projeções do mercado e acumula 4,47% em 12 meses, puxada pelo fim do desconto na conta de luz que vinha da usina de Itaipu.
Redação Apuramos
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Prévia da inflação oficial supera as projeções do mercado e acumula 4,47% em 12 meses, puxada pelo fim do desconto na conta de luz que vinha da usina de Itaipu.
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A prévia da inflação oficial do país acelerou em setembro. O IPCA-15 subiu 0,70% no mês, informou o IBGE nesta sexta-feira (25), taxa bem acima da faixa de 0,52% a 0,55% que analistas do mercado financeiro projetavam antes da divulgação, segundo o InfoMoney.
O resultado é o maior desde abril, quando o índice havia registrado alta de 0,89%, e marca uma reversão em relação a agosto, quando o IPCA-15 surpreendeu com a primeira deflação do ano, de -0,40%.
Com o avanço de setembro, o índice acumula 3,82% no ano e 4,47% em 12 meses — variação superior aos 4,24% acumulados até agosto, segundo dados do IBGE reproduzidos pela Agência Brasil.
Energia elétrica puxa a alta
O item que mais pressionou o índice foi a energia elétrica residencial, que subiu 7,42% e sozinha respondeu pelo maior impacto individual no IPCA-15, de 0,29 ponto percentual. A Agência Brasil explicou que a aceleração está diretamente ligada ao fim do desconto na conta de luz aplicado em agosto, quando o bônus de energia gerada pela usina de Itaipu havia reduzido as tarifas — o benefício foi retirado em setembro, o que devolveu o preço ao patamar anterior.
Por grupos, Habitação liderou as altas, com variação de 2,07% e impacto de 0,31 ponto percentual no índice geral. Em seguida vieram Despesas Pessoais, com alta de 0,96%, e Transportes, que subiu 0,60%, impulsionado pelas passagens aéreas, que ficaram 9,82% mais caras. Alimentação e Bebidas teve alta mais moderada, de 0,40%, enquanto Educação praticamente não variou, com 0,03%.
Dentro da alimentação, o destaque negativo — ou melhor, positivo para o bolso do consumidor — ficou com o feijão carioca, que recuou 6,33%. Na direção oposta, o tomate disparou 20,76% e o arroz subiu 2,39%, segundo o levantamento do IBGE citado pelo InfoMoney.
Na comparação regional, Goiânia teve a maior alta entre as praças pesquisadas, de 0,95%, enquanto Recife registrou o menor avanço, de 0,44%.
Acima da meta
O novo patamar de inflação em 12 meses mantém o índice dentro da banda de tolerância da meta perseguida pelo Banco Central — centro de 3%, com teto de 4,5% —, mas segue acima do centro. Em relatório divulgado nesta semana, a própria autarquia já havia sinalizado que espera a inflação permanecer acima do centro da meta pelo menos até o primeiro trimestre de 2029, o que reforça a cautela do mercado em relação a novos cortes na taxa Selic no curto prazo.
O IPCA-15 funciona como uma prévia do índice oficial de inflação do país e costuma orientar as apostas de analistas para o resultado do IPCA cheio de setembro, que o IBGE deve divulgar no início de outubro. O número também deve pautar as discussões do próximo boletim Focus, com o mercado reavaliando suas projeções de Selic e de inflação para o restante de 2026 diante da surpresa de setembro.
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