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Inflação nos EUA desacelera a 3,4% em julho e alivia o Fed

CPI sobe 0,1% no mês, em linha com o esperado; núcleo vai ao menor nível desde fevereiro e mercado reforça aposta em pausa nos juros em setembro

Redação Apuramos

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Inflação nos EUA desacelera a 3,4% em julho e alivia o Fed
Alexander Grey/Unsplash — imagem ilustrativa

A inflação ao consumidor dos Estados Unidos desacelerou para 3,4% no acumulado de 12 meses em julho, ante 3,5% em junho, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (12) pelo Departamento do Trabalho americano. Na comparação mensal, o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) subiu 0,1%, depois de recuar 0,4% em junho — o primeiro resultado negativo em seis anos, segundo a agência Reuters. Os números vieram exatamente em linha com o que projetavam os economistas.

O núcleo do índice, que exclui alimentos e energia, avançou 0,2% no mês e desacelerou de 2,6% para 2,5% em 12 meses, o menor patamar desde fevereiro. A meta perseguida pelo Federal Reserve (Fed) é de inflação de 2% ao ano.

Os números em detalhe

O custo de moradia, item de maior peso na cesta americana, subiu 0,1% em julho e respondeu por cerca de dois terços da alta mensal do índice, segundo a CNBC. Os preços de energia caíram 1,5% no mês, mas ainda acumulam avanço de 14,7% em 12 meses, reflexo do petróleo pressionado pelo conflito no Oriente Médio, destacou o economista-chefe da Suno Research, Gustavo Sung, ao InfoMoney.

Na direção contrária, os carros usados surpreenderam para cima, enquanto os preços de hospedagem operaram em deflação, ajudando a desacelerar a inflação de serviços, apontou a economista Andressa Durão, do ASA.

O que muda para o Fed

O dado chega em um momento delicado para o banco central americano, que se reúne nos dias 15 e 16 de setembro. Na semana passada, o relatório de emprego (payroll) mostrou perda inesperada de vagas em julho, e, antes da divulgação do CPI, a ferramenta FedWatch, do CME Group, indicava cerca de 46% de probabilidade de uma alta de juros em setembro, segundo o Brasil 247.

Com a inflação dentro do esperado, a leitura majoritária do mercado passou a ser de pausa. "A inflação em linha com as expectativas manterá intacta a narrativa de que não há necessidade de aumentar as taxas de juros", disse à CNBC Ellen Zentner, estrategista-chefe de economia da Morgan Stanley Wealth Management, ressalvando que ainda haverá uma rodada de dados de inflação e emprego antes da decisão.

Há, porém, quem veja aperto à frente. O economista Felipe Mecchi, do C6 Bank, avalia que a resiliência do mercado de trabalho e o núcleo de serviços rodando a 3% ao ano devem levar o Fed a subir os juros já em setembro, segundo o InfoMoney. Sung, da Suno, mantém a projeção de ao menos uma alta até o fim de 2026, com o petróleo Brent perto de US$ 90 o barril. O próximo grande catalisador, apontam analistas, será o simpósio de Jackson Hole, no fim de agosto.

Reação dos mercados e o Brasil

Em Wall Street, os índices futuros ampliaram os ganhos após a divulgação, com investidores aliviados pela ausência de surpresas. No Brasil, o Ibovespa tentava se sustentar na casa dos 168 mil pontos à tarde, depois de seis pregões seguidos de queda que acumularam perda de quase 5,7% — na terça (11), o índice recuou 2,5%, ao menor nível de fechamento desde 20 de janeiro, pressionado pelo cenário eleitoral e pela saída de capital estrangeiro. O dólar comercial andava de lado, na faixa de R$ 5,16.

Para Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, o resultado "reduz a necessidade de um aperto monetário adicional imediato, mas não é suficientemente benigno para encerrar a discussão sobre juros". Ele avalia que o alívio nas taxas dos Treasuries e no dólar na margem tende a favorecer bolsas de mercados emergentes, como a brasileira.

Custo de vida pesa sobre Trump

O peso prolongado do custo de vida segue corroendo a popularidade do presidente Donald Trump, segundo o Brasil 247, e é apontado como desafio central para o Partido Republicano nas eleições legislativas de meio de mandato, em novembro, que definirão o controle do Congresso.

O Fed ainda verá os relatórios de inflação e de emprego referentes a agosto antes de anunciar sua decisão de setembro.

Fontes consultadas nesta apuração

  • inflação
  • EUA
  • CPI
  • Fed
  • juros
  • dólar
  • Ibovespa

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