O comandante-chefe do Exército do Irã, Amir Hatami, anunciou neste domingo (16) uma recompensa equivalente a US$ 30 mil para quem matar ou capturar soldados americanos. O valor dobra se a ação for executada por uma mulher.
A informação foi divulgada pela agência estatal iraniana Tasnim e reproduzida pela CNN Brasil. "Oferecemos um presente adequado", disse Hatami durante um discurso em Teerã, acrescentando que o prêmio é "equivalente a 30 mil dólares, ou aproximadamente 5 bilhões de tomans" — unidade informal que corresponde a 10 mil riais iranianos.
Segundo a agência estatal IRNA, citada pelo Infobae, Hatami afirmou que o plano foi elaborado após um "grande número de solicitações" de pessoas interessadas em participar. "Qualquer um que mate ou capture e entregue militares americanos invasores receberá uma recompensa equivalente a 30 mil dólares", declarou. "As corajosas mulheres iranianas que realizarem uma ação desse tipo receberão o dobro da recompensa."
O comandante não deu detalhes sobre onde ou quando essas capturas deveriam ocorrer. Não há registro de tropas terrestres americanas em território iraniano durante a guerra, com exceção de uma missão de resgate em abril para recuperar um aviador dos EUA abatido, informou o Infobae.
No mesmo discurso, Hatami repetiu a exigência iraniana de que os Estados Unidos abandonem o Oriente Médio. Segundo ele, os americanos "não têm mais permissão para entrar no Golfo Pérsico, no Golfo de Omã ou no Estreito de Ormuz". O chefe militar classificou o controle de Ormuz por Teerã como uma das condições para encerrar o conflito e chamou a via marítima de "capacidade geopolítica concedida por Deus ao povo iraniano".
"O sagrado Estreito de Ormuz é uma das condições para o fim da guerra; vamos preservá-lo com todas as nossas capacidades", afirmou.
O conflito entre Teerã e Washington começou em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel atacaram o Irã. Houve um cessar-fogo em abril, depois de cerca de 40 dias de combates, e um esboço de negociação de paz em junho, que em seguida colapsou. Desde então, os dois lados trocam disparos esporádicos, concentrados no sul do Irã e no entorno de Ormuz.
O número de militares americanos mortos desde o início da guerra chegou a 17, todos fora do território iraniano, em países como Jordânia e Iraque, segundo o Infobae. As mortes mais recentes foram registradas em julho.
Na sexta-feira (14), o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que Washington vai declarar o Estreito de Ormuz como território americano, algo que aconteceria "muito em breve". "Nós temos o bloqueio [...] nenhum navio passa a menos que nós queiramos", disse, em discurso no Condado de Nassau, em Nova York.
O tráfego pelo estreito segue baixo. Dados do grupo de inteligência marítima Windward, citados pela CNN, mostram que 13 embarcações passaram pela via na quinta-feira (13) — quatro entrando e nove saindo. Quatro delas navegaram com os rastreadores por satélite desligados, incluindo um petroleiro carregado com 2 milhões de barris de petróleo bruto saudita. Na sexta-feira, os dados de navegação não registraram nenhum trânsito visível de petroleiros de petróleo bruto.
O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, disse na sexta-feira que entre 8 milhões e 9 milhões de barris por dia estavam passando por Ormuz, em média móvel, e afirmou que o governo americano tem acesso a informações que faltam às agências de rastreamento.
Muitos operadores ainda evitam o estreito por causa dos ataques esporádicos com drones iranianos, e mais embarcações têm cruzado a região com os rastreadores desligados, o que dificulta estimar o volume real de petróleo que chega aos mercados globais.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, reconheceu no sábado (15) o impacto do bloqueio naval americano sobre as contas do país. "Nossas receitas diminuíram. Costumávamos vender petróleo, mas agora não conseguimos vendê-lo", disse.