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Pix cai 10% após MP que proíbe as bets, mostram dados do BC

Levantamento do Banco Central aponta queda no número de transações entre sábado e segunda-feira. A autoridade monetária, porém, diz que os números não permitem afirmar que a causa seja a proibição.

Redação Apuramos

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Ramon Buçard/Unsplash — imagem ilustrativa
Ramon Buçard/Unsplash — imagem ilustrativa

O número de transações via Pix no Brasil caiu cerca de 10% nos três dias seguintes à medida provisória que proíbe as bets, segundo dados do Banco Central divulgados nesta semana. A queda reacendeu o debate sobre o tamanho do mercado de apostas online no sistema de pagamentos instantâneos.

Segundo a CNN Brasil, que reportou os dados em 29 de setembro, a redução foi medida entre sábado (26) e segunda-feira (28), na comparação com a média dos mesmos dias nas quatro semanas anteriores. O presidente Lula anunciou a MP na sexta-feira (25).

O que diz o Banco Central

De acordo com a reportagem, o BC ressalvou que os números, analisados individualmente, não permitem afirmar que a queda foi causada diretamente pela proibição das bets. Outros fatores também podem influenciar o volume diário de operações. O levantamento mede a quantidade de transações, e não necessariamente o valor movimentado.

O que prevê a medida provisória

A MP proíbe a exploração e a publicidade de apostas de quota fixa e cassinos online no país, incluindo os chamados jogos de "tigrinho". Segundo o Poder360, a medida vale desde a publicação, mas precisa ser aprovada pelo Congresso em até 120 dias para continuar em vigor.

O cronograma divulgado pelo governo prevê que os apostadores têm até 5 de outubro para sacar o saldo das contas. A partir de 6 de outubro, as plataformas devem sair do ar. Segundo o Poder360, as informações sobre saldos por CPF serão liberadas nos dias 7 e 8, e os reembolsos por meio dos bancos ocorrem entre 9 e 14 de outubro. Depois disso, a Caixa deve intermediar os valores restantes.

Fiscalização e contexto político

Ainda segundo o Poder360, o governo pretende atuar com a Anatel e empresas de tecnologia para bloquear transferências bancárias ligadas às apostas, derrubar sites ilegais e congelar contas usadas de forma irregular. A Advocacia-Geral da União deve pedir o bloqueio de bens de contas de apostas ilegais para financiar a segurança pública.

O anúncio ocorreu nove dias antes do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro. De acordo com o Poder360, pesquisas do governo indicam apoio majoritário à proibição, especialmente entre mulheres e evangélicos.

Tamanho do setor

Segundo análise do Citi citada em reportagem publicada por veículos regionais com base no Valor Econômico, mais de 40 milhões de brasileiros já apostaram em plataformas de bets, e o setor gerou cerca de R$ 20 bilhões em receita bruta no primeiro semestre de 2026.

Bancos, ainda de acordo com essa cobertura, esperam que a redução dos gastos com apostas libere recursos para despesas essenciais e pagamento de dívidas, sobretudo entre famílias de baixa renda. Já fintechs concentradas no setor de apostas podem ter perdas diretas com o processamento de pagamentos.

O tema ainda está em disputa no Judiciário. Como o Apuramos já noticiou, as bets pediram ao STF a suspensão da MP.

A queda de 10% é um primeiro retrato de poucos dias. Novos dados do BC nas próximas semanas devem mostrar se o movimento se mantém depois do prazo final de 5 de outubro.

Fontes consultadas nesta apuração

  • pix
  • bets
  • banco central
  • medida provisória
  • apostas online
  • economia

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