Selic: Galípolo defende juros restritivos por mais tempo
Na Expert XP, presidente do Banco Central citou inflação desancorada e economia resiliente; próxima reunião do Copom, em agosto, decide rumo da taxa, hoje em 14,25% ao ano
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Na Expert XP, presidente do Banco Central citou inflação desancorada e economia resiliente; próxima reunião do Copom, em agosto, decide rumo da taxa, hoje em 14,25% ao ano
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O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, sinalizou na sexta-feira (24) que a taxa básica de juros deve permanecer em nível restritivo por mais tempo do que o mercado projeta. As declarações foram dadas em painel da Expert XP, evento de investimentos realizado em São Paulo, e registradas por veículos como SBT News, InfoMoney e O Tempo.
Segundo o SBT News, Galípolo argumentou que a resiliência da economia e do mercado de trabalho, somada a expectativas de inflação desancoradas, exige cautela adicional da autoridade monetária. "Aqui no Brasil [...] a gente precisa de uma dose de remédio muito mais elevada do que os nossos pares, mas o efeito é esse: a gente vai seguir acompanhando os dados com a convicção de que o cenário atual demanda a taxa de juros em patamar restritivo", afirmou o presidente do BC, conforme o canal.
Em outro trecho, registrado pela InfoMoney, ele reforçou o recado: "Isso é uma preocupação adicional que nos recomenda permanecer com uma taxa de juros num patamar restritivo por um período mais longo". Galípolo disse ainda que a instituição vai "continuar coletando dados" antes de qualquer mudança de avaliação, numa estratégia de "tomar tempo" para separar movimentos temporários de tendências permanentes.
Na reunião mais recente, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a Selic de 14,5% para 14,25% ao ano, e o mercado projeta taxa de 14% no fim de 2026, segundo O Tempo. O comitê volta a se reunir no início de agosto.
De acordo com o SBT News, a expectativa majoritária era de novo corte de 0,25 ponto percentual, mas a alta recente do petróleo, pressionado pelo conflito no Oriente Médio, colocou em dúvida a manutenção do ritmo de cortes nos próximos meses. Galípolo evitou projetar efeitos da retomada do conflito entre Irã e Estados Unidos e do fechamento da rota marítima do Mar Vermelho, limitando-se a dizer que o BC acompanha o cenário diariamente, ainda segundo o SBT News.
O Tempo relata que o presidente do BC apontou três direcionadores globais da inflação neste momento: o avanço da inteligência artificial, o risco de um El Niño atipicamente forte e a alta do petróleo. Sobre o fenômeno climático, ele reconheceu a dificuldade de medir o impacto. "Quando olhamos a série histórica, temos casos bastante díspares, de El Niño mais forte que impactou a inflação negativamente e El Niño mais forte que impactou positivamente a produtividade agro. Então, não é fácil extrair uma tendência clara sobre ele", disse, conforme o jornal.
Quanto à IA, Galípolo observou que analistas divergem sobre a duração do efeito inflacionário da tecnologia. Na véspera, no mesmo evento, a ex-secretária do Tesouro dos EUA e ex-presidente do Federal Reserve, Janet Yellen, avaliou que, por ora, a inteligência artificial tem pressionado os preços para cima, segundo O Tempo.
No front externo, o presidente do BC avaliou que a curva de juros dos títulos americanos segue relativamente comportada e que a fraqueza do dólar tem sido um fator benigno para economias emergentes, de acordo com a InfoMoney. Ele também citou o debate sobre o quanto medidas fiscais ainda não implementadas já estariam influenciando as projeções de inflação para horizontes mais longos, como 2028.