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Trump exige indenização do Irã e afasta acordo sobre Ormuz

Presidente dos EUA respondeu à cobrança de Teerã e disse que passará a incluir compensações em todas as negociações; Brent voltou a subir e se aproximou de US$ 86

Redação Apuramos

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Trump exige indenização do Irã e afasta acordo sobre Ormuz
Dylan McLeod/Unsplash — imagem ilustrativa

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira (10) que passará a exigir do Irã o pagamento de indenizações em qualquer futura negociação de paz. A declaração, publicada na rede Truth Social, foi uma resposta à cobrança feita por Teerã e afasta a possibilidade de um acordo rápido para a reabertura do Estreito de Ormuz, segundo a agência AFP.

Trump escreveu que representantes iranianos estão pedindo indenização pelos danos sofridos durante o conflito militar dos últimos cinco meses, algo que, segundo ele, nunca havia sido mencionado nas negociações anteriores. "Mas é uma ideia interessante, pois agora também exijo indenização do Irã por todas as pessoas que eles mataram e feriram gravemente com suas bombas à beira de estradas e em muitos conflitos", afirmou, em trecho reproduzido pela Gazeta do Povo.

O americano citou nominalmente o atentado contra o USS Cole, navio de guerra dos Estados Unidos atacado no Iêmen em 2000, e disse que as famílias das vítimas deveriam ser indenizadas. O ataque suicida matou 17 militares e foi reivindicado pela Al-Qaeda; anos depois, a Justiça Federal americana concluiu que Irã e Sudão foram cúmplices na ação.

Trump acrescentou que também deve haver pagamento às famílias das "centenas de milhares de manifestantes inocentes" que atribui ao regime iraniano nos últimos 50 anos, além de 52 mil mortos nos últimos cinco meses — números apresentados pelo próprio presidente, sem detalhamento de metodologia ou fonte. "Instruí meus representantes a incluírem isso firmemente em todas as negociações futuras", escreveu.

O que o Irã exige

A publicação veio depois de Teerã afirmar, no fim de semana, que o acordo em discussão com Omã para administrar a passagem não bastaria para reabrir Ormuz. O governo iraniano condiciona a reabertura ao cumprimento de uma lista de exigências, que inclui o fim do bloqueio naval americano a portos do país, a retirada de tropas dos EUA de países vizinhos e o pagamento de compensações pelos danos da guerra.

Nesta segunda, o Irã reiterou essas condições, conforme apurou a agência Bloomberg. Até a publicação desta reportagem, não havia manifestação oficial de Teerã sobre a nova exigência de Trump nas agências consultadas.

Mercado reage e diesel dispara

O impasse manteve o petróleo pressionado. Os futuros do Brent para outubro subiam 3,2%, a US$ 86,20 o barril, e o WTI para setembro avançava 3,3%, a US$ 80,76, no início da tarde em Nova York — depois de altas superiores a 5% nas três sessões anteriores, segundo a Bloomberg.

O movimento também atingiu os derivados: os futuros do diesel europeu subiram mais de 7% e os americanos, cerca de 6%. Além do impasse em Ormuz, o mercado reagiu a um ataque reivindicado por rebeldes houthis contra a refinaria de Jazan, na Arábia Saudita. O Ministério de Energia saudita informou que o incêndio foi extinto no domingo, sem detalhar a causa.

O tráfego pelo estreito segue reduzido: cerca de cinco navios por dia, ante aproximadamente 14 registrados após o memorando de entendimento firmado entre EUA e Irã em junho, disse Amrita Sen, da consultoria Energy Aspects, à Bloomberg Television. Antes da guerra, cerca de um quinto do petróleo e do gás natural do mundo passava pela região.

Sinais trocados em Washington

No domingo, Trump havia afirmado ao site Axios que os Estados Unidos estavam "diminuindo o tom" em relação ao Irã, depois de semanas de ameaças de novos ataques caso as negociações fracassassem. Segundo o Wall Street Journal, citado pela Gazeta do Povo, o presidente chegou a discutir com auxiliares a retirada das tropas americanas do conflito mesmo sem acordo nuclear, desde que o programa iraniano permaneça "sob controle" e o tráfego em Ormuz seja retomado.

Em paralelo, Teerã deu sinais de endurecimento: o ex-comandante da Guarda Revolucionária Mohsen Rezaee, defensor do controle iraniano sobre o estreito, foi promovido ao mais alto cargo de segurança do país.

Fontes consultadas nesta apuração

  • Donald Trump
  • Irã
  • Estreito de Ormuz
  • Oriente Médio
  • petróleo
  • Estados Unidos

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