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Yduqs e Afya fecham fusão e criam gigante do ensino médico

Acordo por troca de ações prevê R$ 750 milhões em dividendos aos acionistas da Yduqs e reúne quase 38 mil alunos de medicina sob o mesmo grupo.

Redação Apuramos

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Alexander Grey/Unsplash — imagem ilustrativa
Alexander Grey/Unsplash — imagem ilustrativa

Yduqs, dona da Estácio e do Ibmec, e a Afya, negociada na Nasdaq, assinaram na noite de quarta-feira (23) um acordo de fusão que deve criar a maior rede de cursos de medicina do Brasil. A operação foi confirmada em fato relevante às duas bolsas na manhã de quinta-feira (24).

Pelo acordo, cada ação da Afya será trocada por 6,408347 ações da Yduqs, com data de referência financeira fixada em 30 de junho de 2026. Ao final da troca, os atuais acionistas da Afya ficarão com 69% do capital da empresa combinada, enquanto os acionistas da Yduqs terão os 31% restantes, segundo o Diário do Comércio.

A Yduqs permanecerá como a holding do grupo resultante e seguirá listada no Novo Mercado da B3. Já a Afya, hoje negociada na Nasdaq, migrará seu registro para a bolsa brasileira.

Além da troca de ações, o acordo prevê a distribuição de R$ 750 milhões em dividendos aos acionistas da Yduqs — valor fixo ou ajustado pelo fluxo de caixa da empresa até o fechamento do negócio, o que for maior, conforme o Diário do Comércio.

Juntas, as duas companhias somaram receita de R$ 9,2 bilhões em 2025 — R$ 5,5 bilhões da Yduqs e R$ 3,7 bilhões da Afya — e reúnem cerca de 38 mil alunos de graduação em medicina, sendo 26,4 mil da Afya e 11,4 mil da Yduqs, segundo a Exame. Combinadas, as empresas concentrarão 5.888 vagas de medicina autorizadas no país, o equivalente a cerca de 18% do total nacional.

As companhias projetam sinergias entre R$ 2 bilhões e R$ 2,2 bilhões em valor presente líquido, com 80% dos ganhos de eficiência esperados nos três primeiros anos após o fechamento, de acordo com a Exame. A conclusão da fusão está prevista para até 31 de março de 2028 e ainda depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e das assembleias de acionistas das duas empresas.

O mercado reagiu de forma mista ao anúncio. Na manhã de quinta-feira (24), a ação da Yduqs (YDUQ3) chegou a subir 1,1% na B3, enquanto os papéis da Afya recuavam 0,59% na Nasdaq no mesmo horário, segundo a Exame. Já as ações da concorrente Cogna (COGN3) caíam 3,04%.

Para o analista Virgílio Lage, da Valor Investimentos, ouvido pela Exame, a queda da Cogna pode refletir a preocupação do mercado com o fortalecimento de um rival relevante no setor. "O movimento pode refletir a preocupação dos investidores com o fortalecimento de um concorrente importante com essa combinação entre Yduqs e Afya", afirmou. Lage também destacou que a Cogna tem alavancagem operacional mais alta que outras empresas do setor, o que ajudaria a explicar a reação mais negativa de suas ações.

Entre os principais acionistas da companhia combinada estarão o grupo alemão Bertelsmann, hoje dono de 69% da Afya, que ficará com 47,3% da nova empresa, e a família Esteves, com participação na Afya, que terá 7,6%. Do lado da Yduqs, a gestora Advent, atualmente com 17,1% da empresa, ficará com 5,3%, e a família Zaher, fundadora da companhia, com 4,8%, conforme o Diário do Comércio.

Se confirmada, a fusão deve reconfigurar o setor de ensino superior privado no Brasil, especialmente a disputa por vagas de medicina, um dos cursos mais concorridos e rentáveis do país.

Fontes consultadas nesta apuração

  • Yduqs
  • Afya
  • Fusão
  • Educação
  • Bolsa de Valores
  • Mercado Financeiro

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